Arte em contraparte



Arte em contraparte

Quando penso em partir sem você,
Remeto meu sofrer à escrever,
Penso em te deixar pra trás.
Mas isso não me traz paz.

Não consigo chorar,
Assim como não consigo dizer,
Mas minhas mãos insistem em soar,
Que sem você não sei viver.

Não falo de alguém,
E tão pouco de um amor refém.
Falo da arte mesmo que em contraparte 
A fome e a vontade de viver que ao meio se parte

Falo do amor,
E ao mesmo tempo da dor.
Fazer por merecer,
E ao mesmo tempo ninguém vê...


Juliana Pimentel

Vento sopra tempestade



Vento sopra tempestade


Meu medo maior ,
É a mentira sem C.
Meu medo menor.
Narciso sobre G.

Água, vidro se tornou,
Anel de vidro em peito não quebrou,
E o que partiria ?
Quebraria a vida ?

O que sobraria ?
Dólar sobre velharia.
Alma em caixa guardada
Coração,em um canto esquecido.


Juliana Pimentel

Cara de cara

Cara de cara

Há tempos não me sinto tão bem,
Não tenho nenhum bem.
O que tenho se resume em letras,
E eu ainda não aprendi a ler.

E mesmo se eu soubesse,
Fingiria ignorância.
Não viveria a falsa importância .
Ah,se eu pudesse...

Bateria a cara de cara
Em um limpo vidro.
Esqueceria todo e qualquer livro.
Mas bater a cara é uma forma cara.

Juliana Pimentel

Sem carnaval


Sem carnaval 

Por mim eu te beijaria,
Mesmo ao final da poesia.
Não teria ponto,
E nem fim de encontro.

Nem virgula pra respirar
Muito menos tempo pra acabar
E se fosse o final.
Seria sem carnaval.

Eu só queria alguma coisa de verdade,
Nem que fosse a saudade.
Sinto muito.
Mas eu não sinto nada.


Porta Retrato


Porta retrato

Hoje se escreve, pra amanha ser passado
Mesmo não estando em uma porta ou retrato
Me sufoco em saudade,
Ela é maior que o ar
Amor
E
Idade.

Quanta saúde perco em não saudar,
Em tempo certo,antes de acabar.
Vocês agora guardo ao lado,
Onde só eu posso achar.

Mudo,
Nada eu mudo.
Mas quando sonho digo tudo.

Todos vocês que por mim passaram
Em mim sempre ficaram.

Mente em mente,mas não mente





Mente em mente,mas não mente

A mentira não dói pra mim que escuto,
Há muito ou pouco,criei um escudo .
Tudo que ouso vira música.
E por você que a canta faço súplica.

E a cada canto eu sempre danço.
Da forma que quero dançar.
Problema ou não eu só balanço,
O que quero balançar.

Muito ou pouco.
Pouco importa.
Nessa vida nada vale.
Vale,desConto,liquidação de porta.

Valor escondido,
Pouco vale na língua do intrometido.
Que pouco vale quando muito vale.
Se for por mau nunca fale.

Juliana Pimentel

Somente

Somente

Mente só
Só mente.
Mente só.
Somente.
Só...
Mente.
.

Acento em assento


Acento em assento 

E sempre logo cedo, eu cedo.
E se eu for livre, quero que me livre,
Quero poder e poder ir sem medo.
E pode ascender,sem um fogo você acender.

Colocar cada acento em seu devido assento.
Antes por muito apreçar, agora vou apressar...
Não aguento mais tanto vento que vira INvento.
Saio da cela,não quero mais sela a me selar. 

Toda cessão com sessão deve ter secção.
Em meu concerto quero um novo conserto

Pobre coração que parou.
Vive por viver,não sabe mais o que fazer.

Juliana Pimentel 
















Certo DEserto



Certo DEserto 

O certo era errado.
O errado ficou certo.
O seguro morreu de velho.
E o velho ainda é moço.

E agora ?
O ponteiro aponta a mesma hora.
Coração compressado.
Pelo o mesmo mal que havia passado...

Pobre verso,entalado.
Sai sem sair,só um consegue sentir.
Meu peito grita calado.
Uma mentira ele tenta incluir.

Voz que não cala,
Ao mesmo tempo não fala.
Sente, recente e mente.
Pobre peito sem mente.

Erra fazendo o certo.
E se afoga em pleno deserto.
Se queima no fogo do pensamento.
Que é apostar em um momento.

Juliana Pimentel

Cheio de vazio


Cheio de vazio


É tão vazio o que me preenche,
As vezes o ar que me falta busco lá.
Mas as vezes isso enche.
É tão cheio o que pra mim não dá.

Saber eu sei, mas não quero saber...
É melhor tentar não prever.
Velho redemoinho, de um mesmo mundinho,
Sobre folhas velhas volto a escrever.

Suas palavras não pesam tanto quanto pensa.
Flutuam na certeza de sua incerteza,
Será que vive sem recompensa ?
Pobre nobreza.

Mas engana tanto quanto ama,
Bruto diamante no fundo da lama.
Ainda não sabe viver,
Mas ainda lhe resta vidas pra aprender...

Juliana Pimentel

Corte e não corte




Corte e não corte

Escuta criança,
É só você.
Que poder fazer.
Então guarde teu sonho em uma poupança.

Durma e acorde,
Com teu sonho no peito,
Objetivo é desejo,
Que não depende de sorte.

Então durma e acorde,
Sendo você,
Não deixem dizer.
Que a vida é sorte,sempre descorde, e não viva um corte.

Juliana Pimentel

Esquecer de escrever



Esquecer de escrever


Falo tando em viver,
Será que vivo ?
Falo tanto em escrever.
Será que minto?

Mas eu só sei falar em versos...
Que empresto.
Metade de mim,vai por mim.
A outra metade.
É só a outra metade.

Que faz sem sentir,
Pra outra não sentir.
Sentimento não se mente ou entende,
Isso se remete.
Quando pode-se...

E se eu pudesse,
vivia só uma metade de mim.
Que chuta o balde,
E não se importa com a razão que bate.

Seria o certo ?
Quem sou eu pra dizer...
Alguém que tem medo de fazer?
As vezes nem eu me quero por perto.

Juliana Pimentel

Ator da dor



Ator da dor


A verdade é que todo mundo é um pouco ator,
Do amor a dor, vivendo com tanta rancor.
Poucos amam seu trabalho,
Mas poucos se dão o trabalho,
De arriscar.

O político também atua,
Você aceita tudo como uma estátua.
O jornalista mente,
Quer enganar toda essa gente?

Todo mundo vende sonhos,
E depois vive tristonho.
Mentir é feio.
Mas ser ator é mentir sem receio.

Pra quem eu quero mentir ?
Viver sem nada e não existir ?
Morrer pra ter tudo, e mesmo assim não ter nada ?
Ou ser um nada,ter tudo e não ser,nesta vida tão amada.

Juliana Pimentel

Soneto da pobreza

Soneto da pobreza


É tanta gente machucada,
Que guarda o coração,camada sobre camada.
É tando segredo mantido,
Sobre muito sentimento retido.

E sobre os outros, tanto julgamento,
Tampando seus próprios erros.
Como perdem tempo...
Vivendo sobre soneto.

Forma certa,forma fixa.
Pobre  linguagem prolixa.
Pobre do pobre.

Que não sabe do que sofre,
Rica é a pobreza!
Que empobrece a riqueza...

Juliana Pimentel





Todo poeta é um pouco Betta

Me sinto um peixe fora d'água
Quando nela tento ficar,
Me sinto um peixe fora d'água
Quando com os outros tento nadar,
Mas quando mergulho em mim,não me afogo mais em terra,
Porém quase todos me

Veem como um peixe Betta...

Juliana Pimentel 


Vento invento

E de que adiantaria,
Poder voltar atrás,se arrepender, em uma historia que só partia.
E de que eu riria,
Se não de meu erros, e poucos acertos, que em lágrimas guardadas apenas ria.

E sobre o que você dizia,
Dizer a verdade me soava como pornografia,
Guardava em guarda-chuva cada cor de cór,
Deixei o vento partir, seguir, ir a um lugar melhor.

Quanto vento invento,segundo em pensamento,
Cada vento em seu tempo,ajudando o certo momento.
O pôr do sol, que não dizia nada.
Ao mesmo tempo caia como granada.

Falar pouco pelo muito,ainda é muito,
Cada página,segue, livre, só pelo intuito.
Nenhuma verdade,simplesmente se escondia.
Sempre sabemos sobre o que o outro mentia.

Juliana Pimentel



Ocaso por acaso



Ocaso por acaso

De lá pra cá,tanta coisa aconteceu,
Não sei se foi você, ou se fui eu,
Que fechou os olhos pro tempo,
E deixou se levar com vento.

Quanto tempo ? Ele soprou na mesma direção,
Sobre um vago caminho,
Que o alvo é se ferir com uma flor que é espinho.
Agora, correr entre as nuvens virou obrigação...

E se por acaso for ocaso
Quero dizer que caço o caso e caso 
Mas se acaso não for o caso
Não quero ser mais criador de caso.

De lá pra cá,deixei pra lá,
Tudo que ficava do lado do chá.
De cá pra pra lá, acabei esquecendo,
Pois a verdade foi aparecendo.


 Juliana Pimentel

Passado pre(sente)


Passado pre(sente)

Passado,presente, que prende toda essa gente,
Que mente,dizendo que não sente.
Cartas guardas,logo,depois,rasgadas
Histórias descartadas, nem ao menos contadas.

Quanta fantasia nesse mundo de poesia,
Todos  f  da l_i_n_h_a
      O
               R
        a
Se escondendo,do que um dia. Foi dia.

Tempestades que mentem e desmentem.
Misturado ao teu próprio tempo, perdem tempo...
Escondem o que pressentem,logo,sofrem.
Erram e não aprendem,mas só,como passatempo.

Juliana Pimentel


Prob(lema) tem Lou(cura)

Sobre um velho estofado,
Um violão já quase estragado.
Sobre o amassado papel,
Versos que tecem fel.

Por onde foi que andou?
Me parece que o tempo não passou...
Como será daqui a pouco?
Fazer o certo até ficar louco?

Doce lou(cura)...
Deixa a vida menos dura.
Doce veneno...
Que nos mata a medida que vamos bebendo.

Santo dinheiro enraizando todo prob(lema).
Pobre ser humano, reclamar é o seu dilema.



Verso (Em) verso



Verso (Em) verso

De quantas despedidas é feita a vida ?
Se é que vida é vida.
Em cada uma, será tatuada uma nova ferida ?
Se é que partida é parte ida.

A melhor hora pra ir embora,
Será que essa hora tem hora ?

Quanto acorde furado,
De gente que vive de papo furado.
Quanta música eu tenho entalada,
Se não toca a alma,ela não serve pra nada.

É tanto verso inverso.
De gente que vive sempre no inverno,
Mas em verso,é sempre verão
Sempre mentindo pra outro coração.

Juliana Pimentel

De canto em(Canto)


De canto em(Canto)

Maldito pássaro sem assas!
Não voava pois não sabia suas assas usar
Todos falavam que ele não iria conseguir,
Um dia dali,finalmente partir.

Em pequenos saltos, ele ia tentando
E outros atiravam pedras por onde ele ia passando...
Muitas das vezes as pedras ele contornava,
Mas as vezes parava,pois se cansava.

E enquanto todos iam dizendo,
Ele vivia contradizendo.
Cantando,em cada canto,tentava
E sem ver, do tom e céu se aproximava .

Maldito pássaro surdo!
Não escutava e passava por cima de todo o mundo.
Todos falavam que ele só vivia em contraparte,
E de tanto fazer arte , do céu agora faz parte.

Juliana Pimentel


Maqui(agem) à brasileira

Se olhem e sintam-se fortes e belas
Celulites e estrias,como aquarelas
E vejam a beleza real.
Não ser igual é completamente normal.

Mulheres,mulatas
Sobre uma beleza acrobata
O preconceito à brasileira
Ninguém assume por inteira.

Mundo de maquiagem
Que vivemos de imagem
Em cabelos fortalezas,
Fugindo de sua natureza...

Será que estar na moda
Nunca sai de moda?
E a beleza que vem dentro ?
Pra ela, vocês não tem tempo ?

Juliana Pimentel

Se (mente que não sente)



Se (mente que não sente)

O que resta mulher ?
Depois do coração partido por um zé
Se afogam em doses
Tentando mostrar que não são posses.

Diamante agora ficou bruto
Pois amor não existe nesse mundo
Confiam amor e recebem dor
Do homem que no amor era jogador.

Agora  bela  flor...
Teu corpo virou  porto,
E da dor nasce amor,
Em teus braços logo um conforto.

Mas amor não se segura.
E logo some toda bravura
Semente germina e nasce
E a água vaza pela menor parte...

Juliana Pimentel


Foto muda logo muda

Muito tempo passa, há tempos,pouco muda
A muda floresce mas logo fica muda
Muito vento corre,há tempos,pouco escorre
Tempo no cotidiano,que logo cresce e morre.

Foto que tudo aquilo ainda congela,
Lembranças que não enchem panela.
Pessoas que foram, junto ao vento
Que com ilusões perdem tempo.

Bocas pra falar o que não querem pensar
Olhos para verem o que não se quer ver
Tatto,tato pra sentir sem tocar,
Ouvidos pra escutar e se esquecer.

Irresistível medo de se ver
Espelho fosco de um mundo oco
Terrível maneira de viver
Se contendo pra não ficar louco...

Juliana Pimentel





Grito,fome e folia

Todo mundo grita,
Mas tão pouco explica.
Julgam atos e gestos...
Mas tratam os outros como objetos.

Todo mundo fala em mudar a
L
   I
     N
       H
         A
Mas sempre, é a da vizinha...
Moro no país do outro,
Onde cada um é teu próprio ouro.

Cansados nesse eterno labirinto
De falta de respeito  I
                               N
                               F
                               I
                               N
                               I
                               T
                              O
Podem até falar,mas a raça não há como negar!
Vem do preto a vontade de lutar.

Dia após dia, sol que queima e irradia
É cedo,trabalho e alegria
As vezes embriagados,
Pra conseguir viver nesse estrago.

Juliana Pimentel






Me livro em livros

Quanto finais de filmes,sem texto,sem sentido
Durante toda minha vida eu tenho assistido
Quantos livros mau lidos,mal terminados
Recheado de virgulas e mais pontilhados ...

Quantos de mim já teriam morrido ?
Ou ficaram a minha espera, em meu próprio caminho ?
Quantos eu já teria matado ?
Deixando-os para atrás com o meu passado...

Quantos capítulos eu ainda rasgo?
Me importando com quem está ao meu lado
Quanto ainda tenho que chorar ?
Depois de me importar, e a ingratidão ter que provar.

Filme sem começo nem fim
Livro bem feito e mal acabado
Dê os créditos assim
Queimando rascunhos ao seu lado.

Juliana Pimentel
Verso aos sete
 
Há doze curtos anos.
Perdida em minhas linhas e versos, em passos de presto,empresto ou expresso o expresso.
Há dois longos anos.
Me encontrando encantar,em tentar,expressar,cantar
O que meu poeta escreve,submete-me
Vir como arte,fazer parte,melhorar em parte.
Há três extensas vidas.
Me deu amor, dor, agora meu pudor
Respeito , em meu peito , o sangue que faz bombear
esse amor que nunca parou de amar...
E depois ?
Tudo , eu quero , tudo e nada , eu quero o que não quero...
Pois ainda tenho em meus olhos, os cílios da ignorância.
Do ápice da alma que se esconde em distância...
 
Juliana Pimentel