Prob(lema) tem Lou(cura)

Sobre um velho estofado,
Um violão já quase estragado.
Sobre o amassado papel,
Versos que tecem fel.

Por onde foi que andou?
Me parece que o tempo não passou...
Como será daqui a pouco?
Fazer o certo até ficar louco?

Doce lou(cura)...
Deixa a vida menos dura.
Doce veneno...
Que nos mata a medida que vamos bebendo.

Santo dinheiro enraizando todo prob(lema).
Pobre ser humano, reclamar é o seu dilema.



Verso (Em) verso



Verso (Em) verso

De quantas despedidas é feita a vida ?
Se é que vida é vida.
Em cada uma, será tatuada uma nova ferida ?
Se é que partida é parte ida.

A melhor hora pra ir embora,
Será que essa hora tem hora ?

Quanto acorde furado,
De gente que vive de papo furado.
Quanta música eu tenho entalada,
Se não toca a alma,ela não serve pra nada.

É tanto verso inverso.
De gente que vive sempre no inverno,
Mas em verso,é sempre verão
Sempre mentindo pra outro coração.

Juliana Pimentel

De canto em(Canto)


De canto em(Canto)

Maldito pássaro sem assas!
Não voava pois não sabia suas assas usar
Todos falavam que ele não iria conseguir,
Um dia dali,finalmente partir.

Em pequenos saltos, ele ia tentando
E outros atiravam pedras por onde ele ia passando...
Muitas das vezes as pedras ele contornava,
Mas as vezes parava,pois se cansava.

E enquanto todos iam dizendo,
Ele vivia contradizendo.
Cantando,em cada canto,tentava
E sem ver, do tom e céu se aproximava .

Maldito pássaro surdo!
Não escutava e passava por cima de todo o mundo.
Todos falavam que ele só vivia em contraparte,
E de tanto fazer arte , do céu agora faz parte.

Juliana Pimentel


Maqui(agem) à brasileira

Se olhem e sintam-se fortes e belas
Celulites e estrias,como aquarelas
E vejam a beleza real.
Não ser igual é completamente normal.

Mulheres,mulatas
Sobre uma beleza acrobata
O preconceito à brasileira
Ninguém assume por inteira.

Mundo de maquiagem
Que vivemos de imagem
Em cabelos fortalezas,
Fugindo de sua natureza...

Será que estar na moda
Nunca sai de moda?
E a beleza que vem dentro ?
Pra ela, vocês não tem tempo ?

Juliana Pimentel

Se (mente que não sente)



Se (mente que não sente)

O que resta mulher ?
Depois do coração partido por um zé
Se afogam em doses
Tentando mostrar que não são posses.

Diamante agora ficou bruto
Pois amor não existe nesse mundo
Confiam amor e recebem dor
Do homem que no amor era jogador.

Agora  bela  flor...
Teu corpo virou  porto,
E da dor nasce amor,
Em teus braços logo um conforto.

Mas amor não se segura.
E logo some toda bravura
Semente germina e nasce
E a água vaza pela menor parte...

Juliana Pimentel


Foto muda logo muda

Muito tempo passa, há tempos,pouco muda
A muda floresce mas logo fica muda
Muito vento corre,há tempos,pouco escorre
Tempo no cotidiano,que logo cresce e morre.

Foto que tudo aquilo ainda congela,
Lembranças que não enchem panela.
Pessoas que foram, junto ao vento
Que com ilusões perdem tempo.

Bocas pra falar o que não querem pensar
Olhos para verem o que não se quer ver
Tatto,tato pra sentir sem tocar,
Ouvidos pra escutar e se esquecer.

Irresistível medo de se ver
Espelho fosco de um mundo oco
Terrível maneira de viver
Se contendo pra não ficar louco...

Juliana Pimentel





Grito,fome e folia

Todo mundo grita,
Mas tão pouco explica.
Julgam atos e gestos...
Mas tratam os outros como objetos.

Todo mundo fala em mudar a
L
   I
     N
       H
         A
Mas sempre, é a da vizinha...
Moro no país do outro,
Onde cada um é teu próprio ouro.

Cansados nesse eterno labirinto
De falta de respeito  I
                               N
                               F
                               I
                               N
                               I
                               T
                              O
Podem até falar,mas a raça não há como negar!
Vem do preto a vontade de lutar.

Dia após dia, sol que queima e irradia
É cedo,trabalho e alegria
As vezes embriagados,
Pra conseguir viver nesse estrago.

Juliana Pimentel






Me livro em livros

Quanto finais de filmes,sem texto,sem sentido
Durante toda minha vida eu tenho assistido
Quantos livros mau lidos,mal terminados
Recheado de virgulas e mais pontilhados ...

Quantos de mim já teriam morrido ?
Ou ficaram a minha espera, em meu próprio caminho ?
Quantos eu já teria matado ?
Deixando-os para atrás com o meu passado...

Quantos capítulos eu ainda rasgo?
Me importando com quem está ao meu lado
Quanto ainda tenho que chorar ?
Depois de me importar, e a ingratidão ter que provar.

Filme sem começo nem fim
Livro bem feito e mal acabado
Dê os créditos assim
Queimando rascunhos ao seu lado.

Juliana Pimentel
Verso aos sete
 
Há doze curtos anos.
Perdida em minhas linhas e versos, em passos de presto,empresto ou expresso o expresso.
Há dois longos anos.
Me encontrando encantar,em tentar,expressar,cantar
O que meu poeta escreve,submete-me
Vir como arte,fazer parte,melhorar em parte.
Há três extensas vidas.
Me deu amor, dor, agora meu pudor
Respeito , em meu peito , o sangue que faz bombear
esse amor que nunca parou de amar...
E depois ?
Tudo , eu quero , tudo e nada , eu quero o que não quero...
Pois ainda tenho em meus olhos, os cílios da ignorância.
Do ápice da alma que se esconde em distância...
 
Juliana Pimentel